Poesia, música e danças em homenagem à Insurreição de Queimado

A programação contará celebração ecumênica, sarau e sessão solene
Poesia, música e danças em homenagem à Insurreição de Queimado
TEXTO: Djeisan Lettieri e Gabriela Conti   FOTO: Divulgação

Em comemoração aos 168 anos da Insurreição de Queimado será realizada nesta terça-feira (14) uma sessão solene na sala Flodoaldo Borges Miguel, na Câmara de Vereadores da Serra, a partir das 18h. A Câmara fica na Rua Major Pissara, 245, Centro, Serra-Sede. 

As homenagens continuam neste sábado (18) com sarau afro com participações de artistas do Conselho de Cultura, da Academia de Letras da Serra e do Clube de Trovadores. Além disso, haverá apresentações de grupos de capoeira, do grupo Motumbaxé, bem como varal de poesias. O evento começa às 20h e será na praça onde se encontra a estátua monumento à Chico Prego, entre a praça Ponto de Encontro e a Igreja Matriz, na Serra-Sede.

Na manhã de domingo, haverá uma celebração afro popular macro ecumênica a partir das 9h, em frente à estátua Chico Prego, na Serra-Sede. 

 

Caminhada dos Zumbis cancelada

A Caminhada dos Zumbis Contemporâneos, que estava marcada para o próximo dia 18, foi cancelada devido a uma orientação da Secretaria Municipal de Saúde de evitar áreas de mata, como uma medida de prevenção à febre amarela.  

 

Queimado

A Insurreição de São José do Queimado é considerada por especialistas como o principal movimento contra a escravidão ocorrido no Espírito Santo. O fato aconteceu em 19 de março de 1849 quando houve a revolta, segundo pesquisadores, por conta de uma promessa não concretizada de liberdade, feita pelo frei italiano Gregório José Maria de Bene aos escravos da localidade de São José do Queimado, hoje distrito da Serra.

Mais de 300 homens, mulheres e até crianças participaram desta rebelião que foi liderada por Chico Prego, João da Viúva, Elisiário e muitos outros líderes que articularam seu povo para tomar a liberdade com as próprias mãos. Os rebelados foram presos e julgados, cinco deles condenados à morte. Um dos líderes da Revolta, Elisiário, escapou da cadeia e refugiou-se nas matas do Morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi recapturado. Chico Prego foi capturado e enforcado, em 11 de janeiro de 1850.  Hoje, nomeia a Lei de Incentivo Cultural do Município.

Segundo explica a secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Serra, Lourencia Riani, a insurreição foi um movimento tão forte que pra contê-la foram necessárias forças vindas do estado do Rio, além das capixabas. "Por meio dos eventos, que realizamos neste mês, essa memória é regatada e damos visibilidade à cultura do povo negro, fundamental para a construção da cultura serrana e capixaba".