'Eu do futuro': projeto incentiva estudantes a refletir sobre suas metas de vida
Atividade na Emef Iolanda Schineider incentiva o protagonismo e a representatividade por meio da criação de bonecos e do desenvolvimento da oralidade
Texto: Elton Lyrio
- Foto: Cristina Oliveira
De médicos a narradores de futebol: estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Iolanda Schineider, em Porto Canoa, na Serra, materializaram seus sonhos durante as atividades do projeto “Eu do Futuro”. Eles construíram bonecos que refletem suas identidades e futuras profissões, destacando seu papel de protagonistas da própria história e conectando o aprendizado em sala de aula com seus projetos de vida e com a representatividade.
Idealizada pela professora de Língua Portuguesa Cristina Oliveira, a proposta utiliza a cultura maker como ferramenta pedagógica, incentivando os estudantes a construírem, preferencialmente com materiais recicláveis, bonecos que representam quem desejam ser no futuro. A partir dessa atividade, os estudantes pesquisam sobre diferentes profissões e dão forma concreta às suas aspirações, entre elas: policiais, médicos, engenheiros, advogados, bombeiros, maquinistas, veterinários, agrônomos, marinheiros, professores e até narradores de futebol.
A professora conta que desenvolve o projeto há três anos em várias escolas da rede municipal e que, mais do que a produção manual, a iniciativa tem como foco o desenvolvimento da oralidade e da autonomia dos estudantes. Durante as apresentações, eles explicam suas escolhas, compartilham seus objetivos e começam a se familiarizar com uma prática essencial ao longo da vida escolar: falar em público com clareza e segurança.
“Os estudantes, embora tímidos no início, se desafiaram, construíram seus projetos de futuro, pesquisaram sobre as profissões e colocaram a criatividade em prática. A família também esteve envolvida e ajudou na construção dos sonhos das crianças. Ao final, mais do que apresentar trabalhos, os alunos apresentaram sonhos, mostrando que, quando têm oportunidade, conseguem imaginar, construir e acreditar no próprio futuro”, destaca Cristina.
Os estudantes também expressam, nos detalhes, como se imaginam no futuro: com cabelo curto ou colorido, com bigode, com diferentes estilos e características que revelam identidade, personalidade e pertencimento. Cada boneco, assim, torna-se uma representação única não apenas de uma carreira, mas de um projeto de vida. O “Eu do Futuro” também promove uma reflexão importante sobre o papel da educação, ajudando os alunos a compreender a importância dos estudos para a realização de seus objetivos pessoais e profissionais.
Dentro dessa proposta, há ainda um desdobramento importante: o projeto “Pretagonismo: O lugar de todo negro”, que está em andamento e integra ações da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER). A iniciativa busca fortalecer a identidade e a representatividade dos estudantes negros, incentivando-os a se reconhecerem como protagonistas de suas próprias histórias, valorizando suas origens e ampliando suas perspectivas de futuro.
A diretora da Emef Iolanda Schineider, Cynthia Segundo, destaca que iniciativas como o “Eu do Futuro” fortalecem o vínculo entre aprendizagem e projeto de vida, ao mesmo tempo em que valorizam a identidade de cada estudante. Segundo ela, a proposta amplia o olhar sobre o papel da escola na formação integral.
“Quando criamos espaços para que nossos estudantes se expressem e projetem o próprio futuro, estamos indo além do conteúdo curricular. Estamos falando de pertencimento, de identidade e de possibilidades. Esse projeto mostra que cada criança pode sonhar e, principalmente, se reconhecer como capaz de construir sua própria trajetória”, afirma.